A HISTÓRIA DO CONTAINER NO TRANSPORTE DE CARGAS – PARTE 2/2

Container utilizado no transporte de cargas

Por Diego Garcia
Da RodoQuick, em Santos – 31/05/2019 – Edição 037

Dando continuidade ao artigo anterior (A História do Container no Transporte de Cargas – Parte 1/2), neste tópico vamos falar sobre os desafios encontrados para adaptar as estruturas já existentes a essa nova forma de transporte de cargas, e como governos e investidores vem trabalhando para otimizar cada vez mais o transporte de containers.

A idéia de conteinerização era simples: mover cargas de mercadorias do tamanho de reboques, sem problemas, entre caminhões, trens e navios e sem que fossem transportadas como LCL (carga solta). Dessa forma, a invenção do container aumentou enormemente o volume do comércio internacional e tornou possível o desenvolvimento de complexas cadeias de suprimentos.

No entanto, transformar essa ideia em prática de negócios da vida real exigiu muitas inovações adicionais. Novos equipamentos, desde os próprios containers até guindastes nas docas, tiveram que ser desenvolvidos. Embarcadores tiveram que se contentar com tamanhos padrão de containers, e transportadoras tiveram que investir em carretas adequadas para o transporte de containers. Os portos tiveram que reforçar seus cais, criar conexões com ferrovias e rodovias e construir locais para armazenagem dos containers.

Foi uma fase de tentativas e erros, até que o processo passasse a funcionar regularmente. Ao longo do caminho, até as pessoas mais prudentes cometeram erros e perderam milhões. O próprio Malcom McLean, inicialmente, havia comprado navios rápidos e com alto consumo de combustível. Com a crise do petróleo em 1973 e a consequente disparada do seu preço, se viu obrigado a comprar navios mais lentos e econômicos, de forma a viabilizar os custos e diminuir a imprevisibilidade devido às variações de preço internacional do petróleo.

Os operadores portuários e marítimos tradicionais consideraram suas habilidades obsoletas ou inadequadas. Alguns portos menores, como o Mobile, no Alabama, perderam negócios, enquanto outros, como o de Seattle, prosperaram. Como Londres e Liverpool não se adaptaram, a pequena cidade de Felixstowe ganhou 40% do tráfego de containers da Grã-Bretanha.

Essa história ajuda a explicar porque os terminais portuários, como a BTP, Libra e DP World, se tornaram tão importantes. Na era dos containers, qualquer cidade com instalações portuárias modernas, que possuam fácil acesso via rodovias ou ferrovias, pode roubar mercado de outras, na mesma região. Sendo assim, um terminal portuário com bom atendimento localizado no Guarujá pode, por exemplo, tirar negócios dos terminais de Santos. Ao mesmo tempo, os armadores continuam construindo navios cada vez maiores para reduzir seu custo unitário. Para receber navios maiores e não perder para a concorrência, os portos devem investir constantemente grandes montantes em obras como berços para atracação de navios e dragagem para aumento de calado operacional.

Sendo assim, podemos concluir que o transporte em containers foi uma verdadeira revolução na logística internacional, possibilitando grandes melhorias nos custos, na operacionalização do transporte/armazenagem e na qualidade de produtos e do bem estar das pessoas em geral.

Artigo redigido em parceria